PLANEJAMENTO ACADÊMICO - COMO FAZER?

O planejamento de uma disciplina é requisitado ao professor a cada recesso semestral ou anual, geralmente. O plano de curso (ou plano de ensino) é um documento que burocratiza e organiza o processo de ensino aprendizagem de uma disciplina (ou aula, em casa de um plano de aula). Depois de fazer e refazer alguns planos de curso, socializo aqui algumas recomendações úteis a qualquer professor que ainda se sinta perdido com essa peça aparentemente desnecessária...


A estrutura do plano

Todo plano segue uma organização mais ou menos parecida, que varia, obviamente, de instituição para instituição. A estrutura sugerida aqui é apenas uma sugestão, não vale como regra, mas costuma servir para disciplinas de graduação e pós graduação.

1. Identificação
2. Ementa
3. Conteúdo programático
4. Objetivos (gerais/específicos)
5. Metodologia
6. Recursos
7. Avaliação
8. Bibliografia (básica/recomendada)

Identificação

Aqui se preenche apenas o necessário para identificar o plano: o nome do curso, o nome da disciplina, o período (ou a série), a carga horária da disciplina, o ano de vigência do plano (ou período correspondente) em questão, além, claro, do nome do professor.

Ementa

A ementa é basicamente um resumo do que é a disciplina. As ementas são submetidas a uma aprovação burocrática e, portanto, não devem ser alteradas de acordo com os critérios do professor. Normalmente a ementa de uma disciplina já "vem pronta" da coordenação dos cursos, sendo reconsiderada apenas quando a organização de um curso é revista. A partir do resumo da ementa cabe ao professor fazer a seleção dos conteúdos e organizá-los em unidades.

Conteúdo programático

Aqui trata-se basicamente da organização estrutural e psicológica do conteúdo a ser abordado pela disciplina. Este conteúdo deve estar de acordo com a ementa da disciplina e abordar as dimensões do conteúdo: a dimensão cognitiva (os conceitos), a dimensão procedimental (os procedimentos), a dimensão factual (contexto histórico) e dimensão atitudinal (atitudes e valores embutidos).

Objetivos

Um objetivo refere-se a uma capacidade a ser adquirida pelo aluno, portanto deve ser escrito para o aluno, não para o professor. O objetivo descrito deve responder a pergunta "Meu aluno deverá ser capaz de...". Para formular este, é interessante usar como base os níveis crescentes de cognição da Taxonomia de Bloom: conhecimento, compreensão, aplicação, análise, síntese e avaliação (um objetivo pode admitir mais de um nível de cognição). Ao descrever o objetivo, usar verbos no infinitivo (ao descrever o objetivo com mais de um verbo, recomenda-se utilizar um verbo no infinitivo e outro no gerúndio). Um objetivo para uma disciplina de hematologia, por exemplo, poderia ser escrito da seguinte forma: Analisar terminologias médicas relacionados ao tecido sanguíneo interpretando seus significados. Outro ponto a se considerar: os objetivos devem ser descritos como gerais e, depois, como específicos. O objetivo geral, como sugere o nome, é mais amplo e abarca toda a abrangência da disciplina. Os objetivos específicos devem ser específicos a cada unidade do conteúdo programático da disciplina.

Metodologia

A metodologia descreve o caminho percorrido para se chegar a um determinado fim. Trata-se da abordagem utilizada na sala de aula (ou fora, quem sabe?) para se chegar aos objetivos específicos de cada unidade ou aula. Eu escrevi um texto aqui no blog tratando disso, recomendo que leia para saber mais sobre metodologias e abordagens de aula. Para mais, recomendo a leitura dos livros Processos de ensinagem na universidade (Léa das Graças Camargos Anastasiou) e Didática do ensino superior (Antonio Carlos Gil).

Recursos

Os recursos didáticos referem-se aos materiais utilizados em aula: lousa, quadro e giz, retroprojetor, vídeos, música, laboratório científico, computadores, biblioteca, artigos científicos e outros elementos que façam a composição dos momentos de aula.

Avaliação

O processo de avaliação deve ser observado com muito cuidado. A avaliação deve ser pensada de forma a responder aos objetivos citados no plano. A sua avaliação consegue verificar se todos os objetivos foram alcançados? Nesse ponto é importante refletir sobre o processo avaliativo: trata-se de fato de uma avaliação ou apenas de uma verificação? Um vez feita a reflexão, o processo avaliativo deve ser descrito da forma mais objetiva e clara possível. Será utilizada uma prova? Quanto ela vai valer? Serão utilizados trabalhos? Qual será a metodologia desses trabalhos? Aqui é importante o professor ser claro e objetivo para se resguardar de qualquer situação futura envolvendo seus alunos. Se os trabalhos requisitados forem avaliados quanto às regras da ABNT, por exemplo, é bom que essa exigência esteja descrita. Avaliações por meio de projetos e outras metodologias devem ser descritas ou, pelo menos, citadas aqui. Também costumo adicionar no tópico de avaliação dos meus planos, um anexo quanto a alunas em licença maternidade. Caso uma aluna precise se afastar das aulas por consequência da gestação, é bom que o plano de curso já preveja os procedimentos a serem considerados.

Bibliografia

A bibliografia deve expor as obras consideradas para o andamento dos conteúdos da disciplina. É importante reforçar que as referências bibliográficas de um plano de curso devem conter pelo menos três bibliografias básicas e pelo menos cinco bibliografias complementares. Importante também que as bibliografias básicas estejam disponíveis na biblioteca da instituição.

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